domingo, 24 de outubro de 2010

daddy, please.

vou para onde quero ir.
faço o que quero fazer.
estou com quem quero estar.
falo o que quiser falar.
olho para onde quiser olhar.
compro o que quiser comprar.
se tenho limites? tenho.
se tenho responsabilidades? tenho.
se minto? não.
se sou precipitada? sou.
se sou sincera? também. 
se faço tudo pelos outros e nada por mim? sem duvida.
se tenho alguém? não.
se sou de alguém? muito menos. 
se sou complicada? muito.

ai pai, ai pai! ainda deixas ficar a tua faceta ingenua. perdes os sentidos e a razão do que falas sempre que te olho nos olhos e te baralhas nas tuas proprias palavras. não es capaz de encarar. não és capaz de perdoar ou de pedir desculpa. ensinas-me educação e nem sabes o que isso é. ensinas-me respeito quando nunca mo mostras-te. ensinas-me a falar baixo e com calma, quando a unica coisa que sabes fazer é berrar nos meus ouvidos em palavras turvas e precipitadas. talvez as unicas coisas que aprendi ctg resumem-se a trabalhar com um anti-virus ou a sacar programas. ou a guardar os meus gritos, a minha furia e o meu choro. ou a dar valor ao que sempre ignoraste. mas a ester pequena está diferente não está? :) já nao se limita a ouvir e a calar. agora é fria, respondona, verdadeira, realista e uma ameaça à tua posição. já nao me fazes rir com as tuas piadas, já nao me das consolo com as tuas prendas. neste momento, es vazio. não é propriamente a melhor relação entre pai-filha. afinal és meu pai, certo? e sim, lamento pela distância que sempre marcaste entre nós, pelos jogos e audições que faltaste, pelo desinteresse que mostras em tudo o que faço, pela má vontade que transmites qd tens de fazer algo por mim. lamento ter de te fazer levantar da cadeira onde te sentas todos os dias em frente ao computador, porque preciso de ti. lamento não te suportar mais, nem conseguir ouvir mais a tua voz. lamento por seres tão diminuido nessa cabeça, por não conseguires chegar mais longe. nunca quiseste ouvir ninguém. es so tu, tu e tu. o senhor de tudo e de todos! na verdade, não passas de um inconsciente. pensas que sabes tudo e na verdade, nao sabes nada. então sobre mim, muito menos. não queres saber o que faço ou como estou, o que preciso ou o que quero fazer, o que quero no meu futuro e o que já nao preciso no meu presente. 
Lamento pai. Pois ao longo de 15 anos nunca pude encontrar um suporte em ti, nunca pude contar contigo. E agora, o que mais quero de ti é distância, pois sinto que não tenho nada que nos ligue. 
Apesar de tudo, eu amo-te e sei que fazes parte da minha vida.

3 comentários:

  1. incrível como uma adversativa a rematar no fim de um texto que podia perfeitamente ter sido escrito por mim, marca toda a diferença.

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